Na pequena e escaldante Arábia, habitada por povos nómadas, sem laços de qualquer espécie que os ligasse uns aos outros, ignorando a sua própria força colectiva e continuando dispersos nos confins dos desertos inóspitos, surgiu no séc. VII Muhammad (vulgarmente conhecido no Ocidente por Maomé, do galicismo Mahomet), um poderoso génio, que veio unificar os árabes, através do Islamismo, que se tornara elemento catalizador, permitindo a coexistência de várias etnias ali existentes.

Muhammad, cujo nome completo é Muhammad ben Abdullah ben Abdulmutilib ben Háxime, natural da cidade de Meca, na Arábia, em 570 D.C. e pertencente a uma das famílias mais notáveis da região, o clã coraixita, foi fundador da Religião Islâmica ou Muçulmana, actualmente professada por mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo.

Muhammad cedo se encontrou órfão e sem recursos, ficando deste modo sob os cuidados do seu avô, Abdul Mutalib e depois do falecimento deste, a cargo do seu tio Abu Talib.

Aos vinte anos de idade, foi dirigir as caravanas de camelos de uma senhora viúva, da alta nobreza de Meca (Makkah) e dona de grandes actividades comerciais e com quem mais tarde, veio a contrair matrimónio.

 

A Revelação da Palavra de Deus

Chegado aos 40 anos de idade, Muhammad, começa a receber a mensagem da palavra de Deus, por intermédio do Arcanjo Gabriel (Jibrail), na cava de Hira, perto de Meca.

Muhammad envolto numa manta, em silenciosa vigília nocturna, ouve uma voz que o chama; descobrindo a cabeça, um jacto de luz incide sobre ele, com tão intolerável esplendor, que o faz desmaiar. Ao voltar a si, Muhammad vê um anjo de forma humana, que aproximando-se dele lhe mostra um pano prateado coberto de caracteres.

  • Lê! Diz-lhe o anjo.
  • Não sei ler! Replica Muhammad.
  • Lê em nome de Deus! Repete o anjo.

No mesmo instante, o Profeta sentiu que uma luz celestial lhe iluminava o entendimento e leu o que ali estava escrito: “ Ó Muhammad, em verdade és o Profeta de Deus! E eu ou o Anjo Gabriel” (Jibrail).

A partir de então, o Mensageiro Sagrado continuou a receber sucessivamente, durante o período de vinte e três anos (entre os anos 609 e 632 D.C.) as revelações da palavra de Deus, que depois foram compiladas no Alcorão.

 

Difusão da Palavra de Deus

À semelhança de quase todos os Profetas quem o antecederam, Muhammad lutou incansavelmente para realizar sua missão, como arauto ou, mensageiro “rassul” de Deus.

Durante os primeiros três anos, a missão de Muhammad conservou-se reservada a alguns íntimos: Cadija, Ali, seu primo, seu filho adoptivo Zeid, seu velho amigo Abu Becre e seu genro Otman. Ao findar o terceiro ano, o Profeta recebeu a seguinte ordem. “Levanta-te e proclama!”.

Como era de prever, a nova proclamada por Muhammad da existência de um só Deus, suscitou o ódio das árabes que viviam dos rendimentos da Caba, ídolo comum a todas as tribos da Arábia de então e do obscurantismo do povo.

A missão de Muhammad não constituiu fácil tarefa. Surgiram contra ele uma reacção viva dos seus conterrâneos e veementes protestos, mas continuou sempre a lutar em prol da Fé que o animava e pregava sem cessar. Perseguiram-no, atacaram-no e até o condenaram à morte.

Muhammad viu-se então forçado a organizar, com os seus discípulos, a célebre Fuga ou Emigração de Meca a Medina, denominada Hégira (Hijra), a qual marca o primeiro dia da era muçulmana: 16 de Julho de 622 (o primeiro dia do primeiro mês do calendário islâmico, o mês de “Muharram”), que foi uma sexta-feira.

A partir de então, nem a indiferença, nem as feridas de amor-próprio, nem as maquinações ou ameaças diversas vezes repetidas pelos politeístas, conseguiram desviar Muhammad da sua missão.

Acolheu todas as oposições e opressões com um sorriso nos lábios. Manteve-se firme, não se detendo com o cepticismo nem com a coerção. Quando os politeístas sentiram que as ameaças não lograram assustar este homem e as mais severas condenações à sua pessoa e aos seus seguidores, nem sequer os fizeram mover um centímetro, utilizaram outro estratagema, mas também esse estava destinado a falhar.

Uma delegação da tribo coraixita intimou o Profeta sagrado e tentou suborná-lo oferecendo toda a glória terrena que ele podia imaginar. Disseram: “Se quiseres possuir fortuna, nós te daremos tudo quanto desejares; se aspirares ganhar honra e poder, estamos preparados para te jurar lealdade como nosso senhor e rei, se tens afeição pela beleza, dar-te-emos a mão da mais bonita mulher solteira que escolheres”.

Mas queriam que ele abandonasse a sua missão. As condições eram extremamente tentadoras para qualquer mortal. Mas nada significavam aos olhos do Grande Profeta. A sua resposta soou como uma bomba à delegação dos chefes da Arábia. Pensavam que triunfariam, mas estavam desapontados. O Profeta sagrado disse: “Por favor! Não quero riquezas nem poderes. Fui enviado por Deus como um informador da humanidade. Entrego-vos a Sua Mensagem. Se a aceitarem, terão felicidade na vossa vida e glória eterna na vida do além; se rejeitarem a Palavra de Deus, Ele decidirá entre vós e eu”.

Noutra ocasião disse ao seu tio Abu Talib que, sob pressão dos grandes chefes da Arábia, tentava persuadi-lo a abandonar a sua missão: “Oh, tio! Podiam colocar o sol na minha mão direita e a lua na esquerda, com o fim de me fazerem renunciar a esta missão, o que não conseguiriam. Não desistirei, enquanto Deus desejar que eu prossiga”.

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